Telemedicina: o que é, como funciona, benefícios e regulamentação no Brasil

A telemedicina abrange toda a prática médica executada à distância, por meio da tecnologia. Conheça todos os benefícios, entenda como funciona e saiba como é a regulamentação no Brasil!

O que é telemedicina?

Talvez, você nunca tenha ouvido este termo e não saiba o que significa telemedicina. Veja abaixo.

“Telemedicina, em sentido amplo, pode ser definida como o uso das tecnologias de informação e comunicação na saúde, viabilizando a oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde (ampliação da atenção e da cobertura), especialmente nos casos em que a distância é um fator crítico.” (MALDONADO, 2016)

Em relação ao que é telemedicina, portanto, pode-se defini-la como um setor amplo que vem se desenvolvendo cada vez mais junto às inovações tecnológicas.

Não abrange somente as consultas online, mas também procedimentos, práticas e instrumentos médicos, que são utilizados para acompanhar e gerenciar o estado de pacientes remotamente, como monitores de frequência cardíaca e pressão arterial.

5 características da telemedicina

  • O distanciamento físico entre médico e paciente.
  • A substituição da presença física pelo uso da tecnologia.
  • Envolvimento de profissionais da saúde para prestar atendimento.
  • Envolvimento de profissionais da área da tecnologia para criar e manter a infraestrutura tecnológica necessária.
  • Disponibilização de mecanismos que garantam a segurança e o sigilo de dados e serviços abrangidos pela telemedicina.

Este tipo de processo dá maior acessibilidade à medicina, na medida em que permite o atendimento e acompanhamento de pacientes que encontram-se em regiões afastadas e de difícil acesso.

É importante ressaltar que a telemedicina não substitui a medicina tradicional, devendo ser utilizada somente como apoio à segunda, devido a certos desafios tecnológicos, legais, técnicos e éticos.

Quais são as frentes da telemedicina?

A telemedicina possui um sentido amplo, abrangendo diversas práticas que envolvem saúde e tecnologia e possuem como objetivo a assistência, promoção e educação em saúde. Com base nestes objetivos, é possível subdividir a telemedicina em algumas frentes, sendo elas: teleconsulta, teleassistência, telexpertise, monitoramento remoto e atividades educacionais. Conheça agora as características principais de cada uma e o que as diferencia!

Teleconsulta

Através da teleconsulta, um paciente pode ser atendido por um profissional médico remotamente. Esta prática consiste na consulta remota, onde médico e paciente encontram-se em diferentes espaços geográficos. A consulta pode contar com prescrição médica, contanto que contenha identificação do médico e do paciente, registro de data e hora e assinatura digital do médico.

Teleassistência

A teleassistência permite que um médico auxilie remotamente um profissional da saúde ou paciente, através de atividades tais quais: segunda opinião, viabilização de atendimento rápido em situações de emergência ou acompanhamento de situações de risco.

Durante a pandemia, a teleassistência tem sido muito utilizada por governos estaduais para monitorar casos leves e pessoas que tenham tido contato com algum infectado. Isso se dá por meio de aplicativos, mensagens, ligações, entre outros.

Telexpertise

Telexpertise pode ser definida como o auxílio remoto de um ou mais médicos especialistas a um médico terceiro.

A modalidade tem se mostrado bem útil em casos complexos, pois permite que o paciente tenha acesso à opinião de médicos especialistas experts mais facilmente e menos custosamente, mesmo que estes se encontrem a longas distâncias, o que ocorre frequentemente.

Monitoramento remoto

A interpretação à distância de dados de um paciente por um médico intérprete é o que caracteriza o monitoramento remoto. É com base na interpretação destes dados que o profissional da saúde irá determinar quais serão os cuidados tomados pelo paciente.

Além disso, o profissional pode, através de dispositivos tecnológicos, realizar o monitoramento domiciliar do paciente, sem que ele tenha de ir constantemente a uma unidade de saúde física para isso.

Teleducação

A teleducação oferece ensino e treinamento à distância para profissionais da saúde na área de Atenção Primária à Saúde/Atenção Básica (APS/AB). Isto pode ser feito através de materiais educativos, aplicativos, web palestras, cursos, etc.

É uma forma de manter os profissionais de saúde sempre atualizados com as novas práticas e tecnologias existentes, oferecendo melhor atendimento ao paciente.

Telerradiologia

A telerradiologia pode ser classificada como um ramo específico da teleassistência. Consiste na prática de transmissão de imagens de exames radiológicos, sua interpretação e elaboração de dados – tudo de maneira remota. Assim, unidades de saúde podem contar com médicos radiologistas especializados de qualquer parte do mundo para oferecer melhor atendimento a seus pacientes e conseguir melhores resultados.

Telecirurgia

À primeira vista, o nome pode parecer estranho; afinal, como é possível realizar uma cirurgia remota? Mas acredite se quiser, a telecirurgia já é um procedimento possível, apesar de ainda sofrer grandes desafios tecnológicos.

Do que se trata?

“A telecirurgia, por sua vez, consiste em ter o cirurgião operando à distância, sendo auxiliado pela equipe local. A principal limitação dessa nova maneira de se operar é a disponibilidade tecnológica.” (CUTAIT, 2008)

O cirurgião pode realizar a operação remotamente, através dos seguintes recursos.

  • Teleconferência: acompanhando e guiando a equipe local, por meio dos recursos de vídeo e áudio.
  • Robótica: operando à distância o controle dos robôs que farão a cirurgia.
  • Transmissão: de textos, voz e imagens, para possibilitar a interação entre o médico e a equipe local.

O acesso a uma ótima conexão de internet e a aparelhos de primeira qualidade é essencial para que a telecirurgia possa ser viável – requisitos estes que ainda são de difícil acesso para muitos.

Quais os benefícios da telemedicina?

A telemedicina é de grande potencial para o desenvolvimento e aprimoramento da saúde pública e privada no Brasil.

Em um vasto território, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, é um grande desafio oferecer atendimento, acompanhamento e diagnóstico de qualidade para todos. Muitas áreas são isoladas e de difícil acesso, o que faz com que os serviços de saúde sejam distribuídos de forma desigual, deixando certos grupos sociais excluídos de seu direito básico de acesso à saúde.

Por exemplo, um habitante de Tejuçuoca (pequena cidade no interior do Ceará) que precisa de atendimento médico especializado, devido a uma doença grave, terá de percorrer longas distâncias em um estado crítico até conseguir o atendimento de qualidade do qual tanto necessita. Com isso, suas chances de recuperação, portanto, serão muito menores do que a de habitantes de um grande centro urbano como São Paulo. Caso o atendimento de telemedicina fosse disponibilizado, este paciente poderia ser tratado mais facilmente.

Talvez, o mais próximo à nossa realidade seja apontar para a utilidade da telemedicina na pandemia atual do Covid-19.

Muitas pessoas que nunca tiveram nenhum contato prévio com a telemedicina viram utilidade em utilizá-la para fazer consultas médicas, sem que fosse necessário ir ao hospital e correr o risco de pegar ou disseminar a doença.

Além disso, a telemedicina também foi utilizada para monitorar o estado de pacientes em isolamento, permitindo que tivessem acesso a serviços de saúde, mesmo mantendo-se em quarentena.

Portanto, os benefícios da telemedicina são muitos: maior acessibilidade à saúde, aumento da qualidade de serviços médicos, barateamento dos serviços, rapidez no atendimento e possibilidade de acesso à saúde, mesmo em isolamento – estas são apenas algumas das inúmeras vantagens que puderam ser vistas com ainda mais clareza durante a pandemia do Covid-19.

De que forma a Inteligência Artificial se aplica à telemedicina?

A telemedicina deve grande parte da sua existência à Inteligência Artificial, e só poderá continuar se aprimorando através dela. Para entender o porquê, primeiramente, é necessário entender o conceito básico de Inteligência Artificial (IA).

Inteligência Artificial é um ramo da ciência da computação capaz de reconhecer situações-problema que necessitam de intervenção e solucioná-las, através de análise de dados e tomada de decisões, simulando capacidades humanas.

A aplicação da IA na área da saúde é ampla, e ambas as áreas tendem a trabalhar cada vez mais juntas.

“Em saúde, a IA analisa dados disponíveis em bases de dados de nascimento, mortalidade, hospitalizações, doenças […], dados de pacientes registrados em prontuários eletrônicos. Busca, seja indicar a prevalência e evolução de enfermidades, possibilitando antecipar surtos epidêmicos e propor medidas preventivas com oportunidade, seja analisar, por exemplo, a coerência entre uma hipótese diagnóstica de um paciente, exames solicitados e terapia prescrita.” (LOBO, 2018).

Portanto, a inteligência artificial pode ser utilizada para todos os ramos da telemedicina: oferecendo diagnósticos à distância, através da análise de dados, possibilitando a comunicação entre médico e paciente em locais geográficos distintos, empregando dispositivos para a obtenção de dados sobre a condição do paciente, como marca-passo, possibilitando a telecirurgia e a análise de exames à distância, entre outros.

Portanto, o desenvolvimento da telemedicina é intrínseco ao desenvolvimento da Inteligência Artificial, e vice-versa.

Como funciona a emissão de laudos à distância

Sobre como funciona a telemedicina e, mais especificamente, a emissão de laudos, como visto anteriormente, a Inteligência Artificial permite que laudos e diagnósticos sejam emitidos à distância, através da telemedicina.

Na telerradiologia, os dados do exame do paciente serão enviados a um computador com software específico.

O software irá tomar as providências necessárias para deixar os dados acessíveis e, então, o médico especialista fará a análise e emissão do laudo, que será assinado digitalmente.

O documento, então, será disponibilizado ao paciente, através de uma plataforma de telemedicina (aplicativos, sites, etc.).

A Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), instituída pelo governo federal, garante a proteção de laudos e outros documentos médicos digitais, como prescrições e atestados, contra a ação de hackers, garantindo a segurança do usuário.

Telemedicina como suporte ao atendimento tradicional

O uso mais comum e aceito da telemedicina é como suporte ao atendimento tradicional. Nesta modalidade, a telemedicina sozinha não é suficiente para oferecer atendimento, diagnóstico e tratamento completo ao paciente, funcionando apenas para auxiliar – agilizando e potencializando – o atendimento tradicional presencial.

O atendimento primário emergencial, feito através de uma teleconsulta, é um exemplo de telemedicina como suporte à medicina tradicional. Outras possibilidades são diagnóstico remoto de exames, acompanhamento periódico de pacientes com doenças crônicas, videoconferências entre médicos especialistas para consulta e troca de conhecimentos, etc.

Assim, um dos grandes objetivos da telemedicina não é ser autossuficiente, mas, sim, o de auxiliar a medicina tradicional a evoluir, oferecendo serviços de saúde mais integrados, de maior qualidade, de forma mais acessível e igualitária para um maior número de pessoas. O resultado é um aumento na qualidade de vida da população, que terá seu direito de acesso à saúde garantido.

Como surgiu a telemedicina?

A prática de telemedicina tem origem no século XX, em um cenário de grande desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação. É difícil definir a data exata de seu surgimento; no entanto, muitos estudiosos atribuem à invenção do estetoscópio por Sidney George Brown, em 1910.

A invenção era capaz de transmitir informação a distâncias de até 50 milhas, e pode ser classificada como uma prática de telemedicina, pois foi utilizada para transmitir informações médicas à distância.

Outro exemplo de uso da telemedicina na história ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando profissionais da saúde utilizavam o rádio para buscar conselhos médicos de profissionais localizados em outros pontos geográficos.

No entanto, foi apenas na década de 90 que a telemedicina tomou forma e se consolidou como um ramo específico da saúde. Sua consolidação pode ser atribuída, principalmente, à evolução da tecnologia na época, com a popularização de computadores e maior facilidade de acesso à internet.

Neste período, foi criada a primeira instituição responsável pela pesquisa e educação na área de telemedicina: a American Telemedicine Association (ATA). A ATA contribuiu grandemente para promover e disseminar o conceito globalmente.

A telemedicina no Brasil

A história da telemedicina no Brasil começou um pouco mais tarde. O Ministério da Saúde instituiu, em 2007, o Programa Nacional de Telessaúde – ampliado em 2011, passando a ser designado como Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes. Inicialmente, a meta do programa era o estabelecimento de nove núcleos em diferentes estados do Brasil, e cada núcleo contaria com vários pontos de telessaúde que funcionariam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos municípios selecionados.

Atualmente, o programa atende mais de três mil municípios em 23 estados e causou a evolução de diversas áreas da saúde em cada um deles. O Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul podem ser citados como exemplos de telemedicina. No Rio de Janeiro, o foco é na realização de exames radiológicos que possam ser digitalizados e analisados à distância. Já no Rio Grande do Sul o maior avanço foi perceptível no telediagnóstico de doenças respiratórias crônicas.

O que mudou com o avanço do Covid-19?

A pandemia do Covid-19 mudou a forma como a telemedicina no Brasil e no mundo era vista e utilizada. Em 2020, as atividades de telemedicina foram aprovadas excepcionalmente no país, sendo válidas apenas pela duração da pandemia.

A autorização excepcional da telemedicina no Brasil e sua ampliação em diversos países durante a pandemia explicitam o seu sucesso no combate e prevenção à doença. Diversos países severamente afetados pela pandemia, como a China e os EUA, estabeleceram amplos programas de telemedicina para fornecer orientações sobre prevenção e tratamento da doença, rastrear pessoas que tiveram contato com infectados, treinar profissionais de saúde e oferecer consultoria especializada para profissionais da saúde com especialistas.

No Brasil, a telessaúde foi utilizada pelo SUS para entrar em contato, via WhatsApp, SMS ou telefone, com os infectados e passar-lhes um formulário a ser preenchido com as informações de todas as pessoas com quem tiveram contato. Assim, foi possível rastrear o alastramento da doença e preveni-lo.

Regulamentação da telemedicina

A primeira regulamentação que referenciava a telemedicina no Brasil é de 2002, quando uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) definiu o termo e estabeleceu a infraestrutura básica para sua execução.

Foi somente em fins de 2018 e início de 2019 que uma nova resolução foi elaborada (CFM nº 2.227). Apresentando diversas inovações no ramo, as modalidades de telemedicina reconhecidas e legalizadas seriam: teleconsulta, teleinterconsulta, telediagnóstico, telecirurgia, teletriagem, telemonitoramento (ou televigilância), teleorientação e teleconsultoria. No entanto, esta resolução foi revogada antes mesmo de entrar em vigor, devido ao tratamento polêmico recebido por sua aprovação.

Foi elaborada uma nova resolução (CFM nº 2.228) revogando a CFM nº 2.227 e restabelecendo a Resolução CFM nº 1.643, de 2002. Sendo assim, entende-se que a telemedicina não está proibida no país, mas certa cautela deve ser utilizada pela comunidade médica ao abordar as suas práticas.

Sobre a telemedicina Ciclic

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